27 de dez de 2012

Carta aberta aos colegas de trabalho e à Pastoral Carcerária “Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas!” ( ESCRITA PELO AEVP Carlos Gil Siqueira Campos)







Carta aberta aos colegas de trabalho e à Pastoral Carcerária
“Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas!”
Impressionou-me a pertinência da frase de Victor Hugo incluída num contexto rico, explicitando com sabedoria, uma realidade: A realidade de toda uma classe trabalhadora. Classe essa, que além de lutar contra as limitações impostas pelo sistema, ainda tem de lutar contra a insensatez de quem deveria ter como missão defender homens de bem, para que esse nosso mundo fosse um pouco melhor. Ter misericórdia do seu semelhante é uma coisa, mas denegrir a imagem de pais e mães de família trabalhadores, em detrimento daqueles que cometem crimes de toda sorte, associados ou não a facções criminosas ou outras organizações criminosas, aí já se torna indecente.
Cristo, ao chegar ao templo e ver um comercio montado, chicoteou e expulsou a todos, assim como quando viu o arrependimento de uma adultera, desafiou a hipocrisia social e a perdoou de seus pecados. Mas Ele a perdoou e disse: “Vá e não peque mais!”.

Enquanto homens e mulheres são mortos sem direito de defesa, vem alguém se dizendo representante de Cristo e de Sua vontade, para defender a quem nos mata, vestindo-os de cordeiros e nos vestindo de lobos.
 O porte legal de arma, é uma gota de oxigênio para uma classe de seres humanos trabalhadores da área da segurança pública sufocada pelo terror a que são expostos no seu dia a dia, não só dentro de suas unidades de trabalho, mas no seio de sua família e no sacrossanto refugio de seu lar, enquanto conquista, é só um grão de areia na beira da praia. Enquanto criminosos, ainda que dentro das instituições carcerárias, são ajudados a cometer mais delitos por aqueles que “deveriam” dissuadi-los do erro.
Repudio veementemente a campanha encabeçada pela pastoral carcerária, numa ação que toma contra quem ela deveria defender e apoiar, pois funcionários bem equipados, vivos e satisfeitos, iriam atender, “ainda melhor”, àqueles que estão sob seus cuidados. O desconhecimento de causa que se torna flagrante no texto redigido e assinado por aquela infeliz instituição é assombroso e a falta de decência é vil!
Estes que tomaram esta postura contra a decência e contra o trabalhador deveriam se envergonhar de se dizerem servos de Deus, pois não o parecem, pelo menos o Deus de Isaque e Jacó, o mesmo Deus que libertou os Israelitas das mãos criminosas dos egípcios e os matou a todos, tragando-os sob as aguas. Do mesmo deus que ordenou aos seus discípulos que pregassem o evangelho para toda a criatura e aquela porta em que batessem e se abrisse, ali ceariam e abençoariam, porém a que não se abrisse, deveriam sacudir a poeira de suas alparcas, dar as costas e seguir em frente. E ainda mais, que seus pertences fossem apenas suas simples vestes e nada mais e não toda essa pomposidade ostentada por esses que se dizem representantes de Cristo. “Diga-me onde está o teu coração que eu te direi onde está o teu Deus!” Assim diz a palavra do Senhor Deus, o Verdadeiro e Único! O arrependimento é para todos, mas quem não se arrepende será condenado. Esse comportamento apostata que se mostra nesses “religiosos” um dia será cobrado, pois o sangue dos inocentes já sujou as suas vestes e essa mancha aparecerá no último dia!
“Quem pode entrar num chiqueiro e manter-se limpo?”
Quero parabenizar ao meu colega, Roberto Wagner dos Santos Junior, ASP em São Paulo, pela sua destreza, sua sensibilidade, seu conhecimento e sua coragem.
Este que humilde e respeitosamente, deu uma tremenda lição em quem vem se meter onde não deve.
Atenciosamente,
Carlos Gil Siqueira Campos 
AEVP, Agente de Escolta e Vigilância Penitenciaria do estado de são Paulo, com muito orgulho. Formado em comunicação social, com habilitação para publicidade e propaganda, pela Faculdade Barão de Mauá, em Ribeirão Preto. Profissional da área de segurança privada, com várias habilitações, há 22 anos. Vários cursos de formação dirigidos à segurança pública, realizados pelo ministério da justiça.